3º dia: Redondela – Santiago de Compostela

E lá passaram mais 85km. Os primeiros 40km pareceram 20 e os últimos 20 pareceram 40. É assim que descrevo este ultimo dia de viagem.
Começámos o dia com ameaças de chuva e o jornal do dia também não ajudou, “muita chuva e granizo” era o anunciado para este 3º dia de viagem, mas felizmente não apanhámos uma pinga de chuva.
Os primeiros 40km fizeram-se “com uma perna às costas; na noite anterior tinha-me deitado com uma dor num tendão da perna direita, mas felizmente de manha já estava totalmente recuperado.

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Os últimos 20km foram os mais difíceis, os joelhos começaram-se a ressentir, juntamente com o tendão do pé esquerdo que levou uma pancada forte numa descida por volta dos 50km deste 3º dia. A carga psicológica também começou a aumentar com a chegada ao fim do caminho. Embora o fim do caminho seja em ambiente citadino, a verdade é que nos abstraímos de tudo, o destino nunca mais chega e os marcos que informam da distancia para Santiago parecem não alterar. Pedalamos a pensar que passaram 5km e afinal passou 1, simplesmente desgastante.

Ja no centro da cidade de Santiago tudo deixa de doer, “é já ali ao cimo desta rua” disse-me o Paulo. Subi com a pedalada com que comecei esta viagem na Sé do Porto. Ao cimo parámos 1 minuto no inicio da rua que nos leva ao nosso destino final, voltámos a arrancar pela entrada do caminho Português, uma rua estreita cheia de gente, onde temos que “zigzaguear” entre peregrinos e turistas e finalmente entramos na praça. Havia pessoas no centro da praça deitadas no chão, uns tiravam foto de grupo enquanto cantavam bem alto, eu continuei a pedalar até que me reencontrei no centro da praça com o Paulo. Cumprimentámo-nos e parabenizámo-nos pelo feito e foi ai que toda a carga desabou em cima de mim. A carga emocional era enorme, um misto de sentimentos indescritível, afastei-me do Paulo, fui para um canto e liguei à família emocionado.

Depois de recomposto voltei a procurar o Paulo, tirámos as fotos da praxe, fomos buscar a Compostela e por fim para o hotel. A visita à catedral deixámos para o dia seguinte.

Há realmente muito para escrever, o que irei fazer atempadamente. Este texto estava em falta para aqueles que apenas seguem o blog, por isso aqui fica o resumo do 3º e último dia.

Mais uma vez obrigado a todos os que seguiram esta aventura.

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2º dia: Ponte de Lima – Redondela

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Finalmente acabou o 2º dia. É duro? É, mas também foi para já o dia mais bonito.
Acho que é impossível descrever o caminho, nenhuma foto lhe faz jus.

O segundo dia não é realmente fácil, muitas subida, ao que se junta descidas bastante técnicas. Se alguma vez fizerem o caminho, não venham com pneus e travões muito gastos.

Saímos de Ponte de Lima e apanhámos a maior chuvada de toda a viagem, depois tivemos algumas abertas mas normalmente era chuva.

Em Mos começou de novo a chover e decidimos ficar em Redondela em vez de irmos a Pontevedra.

Estamos muito cansados e por isso vamos dormir cedo. Amanha há mais… chuva.:/

Obrigado a todos que acompanham esta aventura e que têm enviado mensagens de apoio.

Estou com umas saudades doidas da minha filha.

1º Dia Porto – Ponte de Lima

A saída da Sé foi dentro da hora marcada, com a visita de um amigo e com a minha mulher e a minha filhota. O caminho até à Maia é o mais chato e desinteressante, tanto por causa do transito citadino, como pelo aspecto familiar do caminho.
Relembro que vou pondo algumas fotos ao longo do percurso no seguinte link: http://geospike.com/jamlvs/trip/2013/a-caminho-de-santiago?shared=afHbxbS

Depois da Maia fomos em direcção a Rates, almoçámos em Barcelos e seguimos para Ponte de Lima, sempre debaixo de chuva (desde Rates). Pelo meio parámos em alguns pontos típicos para por o carimbo da praxe. Estes foram os carimbos do primeiro dia:
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A chegada a Ponte de Lima fez-se tranquilamente. Incrível como a qualidade dos calções da Cofides com carneira em carbono fazem a diferença. Acho que nestes 85km fiquei menos massacrado que nos 40km que faço semanalmente com calções de media gama da decathlon. Por isso quando decidirem fazer uma viagem assim grande, apostem em equipamento bom e sem cuecas!

Chegámos ao hotel, tomámos um banho e fomos almoçar ao albergue de uns amigos do Paulo. Um casal fantástico com quem partilhámos um fantástico arroz de sarrabulho. O que sobrou serviu para encher a alma (literalmente) de um outro peregrino, também ele de bicicleta que, se não comesse sarrabulho, acho que morria. Juro que temi pela vida quando entrei no albergue com o tacho do sarrabulho.

Agora vou descansar porque já são quase 1 da manha. Vocês vão ler isto quando eu já estiver a caminho pois vou por a publicar automaticamente amanha.

Abraços e beijos e obrigado pela vossa companhia virtual. Tanto os amigos como os desconhecidos que vão aparecendo a desejar um “bom caminho”.

Como seguir esta aventura

Amanha a saída é às 9 horas da Sé do Porto. Os amigos que quiserem (e poderem) aparecer, tiramos uma foto para mais tarde recordar.

Por volta dessa hora irei partilhar um link que vai dar a uma página com a seguinte informação:

Mapa:
Mapa

No mapa vão aparecer algumas bandeiras, as quais vão obviamente dar em direcção ao primeiro ponto de descanso: Ponte de Lima. Até lá o caminho não será acompanhado por GPS, o que vai acontecer é sempre que tirar uma foto e a partilhar, irá aparecer outra bandeirinha no mapa e uma seta directa da bandeira anterior para a mais recente. Se virem que estou a ir na direcção errada não telefonem porque não levo telemóvel.😛

A partir dai, sempre no mesmo link e a baixo do mapa, vão aparecer as fotos com toda a informação, quando foi tirada e principalmente os dados GPS de onde foi tirada. Isso irá dar jeito para saberem onde cada foto foi tirada caso um dia decidam fazer o Caminho.

O mapa anterior é referente a um teste que fiz com 3 fotos aqui em Gaia; podem consulta-lo no seguinte link:

http://geospike.com/jamlvs/trip/2013/Teste-da-app-para-Santiago
ATENÇÃO: Este não é o mapa de amanha! Não se ponham amanha a olhar para este mapa!😛

Um agradecimento especial

A ConchaUm agradecimento especial à pessoa com quem vou fazer o Caminho de Santiago. Como já disse anteriormente, o Paulo decidiu ir nesta data a Santiago de Compostela e como resposta ao meu interesse em saber mais sobre este assunto lançou-me o desafio: “Se quiseres saber mais vem comigo”.

Esta aventura não era suposto ser a dois, o Paulo disse que ia e quem quisesse ir com ele era bem vindo; afinal, esta é a 9ª vez que faz o Caminho de Santiago. Ele defende o Caminho com unhas e dentes e além disso, gosta de iniciar novos peregrinos nestas aventuras, por isso eu seria o companheiro ideal e, embora cedo de mais (só pretendia ir no próximo ano), decidi aproveitar a oportunidade.

Muita coisa mudou desde que entrei nesta aventura, alguns contratempos na possível boleia de volta ao Porto, juntamente com uma alteração das normas da CP quanto ao transporte de bicicletas nos comboios (assunto a analisar após o caminho). No final, o Paulo conseguiu mais uma vez com que tudo se resolvesse pela melhor forma.

O Tempo mudou drasticamente, depois de uns dias de muito sol, veio o mau tempo. As previsões são de chuva para toda a viagem e, com base nisso, o Paulo perguntou-me se queria adiar, ao que respondi que não. Estou psicologicamente preparado para fazer isto agora, tenho muita coisa pendente e esta é a altura ideal para o fazer.

Sei que se eu não fosse, o Paulo provavelmente iria noutra altura, com bom tempo para poder usufruir ao máximo do Caminho e de toda a sua beleza, mas quero encarar esta aventura como mais um evento da vida; afinal a vida não é perfeita e quem sabe, ao tentarmos com que tudo seja perfeito, acabemos por fazer exactamente o contrário.

Sendo assim, estas palavras são realmente um obrigado ao Paulo, pois sei que vai ser um excelente companheiro de viagem. Vai ser difícil e talvez não seja tão bonito como nos outros anos, mas de certeza que vai ser uma viagem memorável!